2007-02-28

Inteligência e Brasileiros

Um povo é definido pelos seus valores. A inteligência, ao que parece, não é um valor muito bem recebido pelos brasileiros. O estudo e o conhecimento, a pesquisa científica ou mesmo a leitura de um livro são atividades completamente desvalorizadas. Causa-me portanto um pouco de espanto que os brasileiros se considerem inteligentes. Aqueles com um mínimo de auto-crítica se auto-denominam "espertos". Também se dizem "criativos" e, talvez por esse motivo, desconsideram qualquer medida tomada por países muitíssimo mais bem-sucedidos.

Vamos examinar as evidências: o Brasil, com 50000 assassinatos por ano, é praticamente uma região em guerra civil. Estes assassinatos são cometidos por criminosos comuns que são presos e devolvidos à sociedade após terem sido "recuperados" no sistema prisional ou em alguma "instituição" para menores de "alta periculosidade".

Relendo o parágrafo anterior sinto uma tristeza tremenda: os brasileiros não parecem entender que em qualquer país que funciona os presos ficam presos. Vou dar um pequeno exemplo. Em muitos países civilizados, alguém que comete um ataque com intenção de matar, no caso de ser comprovada a premeditação do ato, leva prisão perpétua. Isso é assim mesmo se ninguém tiver sido morto. Simples, não é? Então por que os brasileiros, inteligentes, espertos e criativos, simplesmente não copiam estas regrinhas básicas?

Há muito mais exemplos da burrice extrema em ação no Brasil. Hoje no Brasil morrem muitíssimas mulheres devido a abortos em condições precárias. Por quê? Porque o brasileiro, inteligente e criativo, em lugar de copiar o que funciona em todo o mundo civilizado, se baseia em leis da época das cruzadas e da inquisição. Em países civilizados, com pouquíssimas exceções, o aborto é provisto pelo Estado, bastando para isso que a interessada se manifeste. O aborto clandestino causa mais mortes do que a Intifada Palestina, mas ninguém menciona o assunto. O esperto e inteligente brasileiro precisa esperar para que algo ruim aconteça em casa, com entes queridos, para se manifestar. Vocês chamariam essa atitude de inteligente, ou mesmo esperta?

O mapa abaixo ilustra o número de abortos mal feitos por cada mil mulheres, em diversas partes do mundo. No Brasil a cada ano fazem-se mais de 1 milhão de abortos em condições inseguras. Milhares de mulheres morrem por ano. Vocês acham isto inteligente? Bom, se acharem, façam-me o favor de explicar porque. Eu também quero entender em que consiste a inteligência brasileira.

Fonte: World Health Organization, leia mais aqui

4 comentários:

C. Mouro disse...

Ora ora, se criaram a "moral do escravo" por que não também a moral do burro.
Se num lugar impera a inveja, se a massa está ressentida e frustrada, não se irá valorizar valores reais, mas sim fajutos valores ideológicos (e até "idiotológicos").

Assim, uma massa de invejosos buscará o consenso sobre valores (sem valor algum) que os vinguem. Ou seja, irão valorizar consensualmente tudo que não presta como meio de pretensamente atingir e desmerecer aqueles que possuem os reais valores.

É algo um tanto parecido com a magnífica fábula "A Raposa e as uvas".

Disso decorre o fato da pobreza ser valorizada ideologicamente, também da humildade, do desprezo por si ante a coletividade e etc.. É uma cultura de ressentidos.
A humildade só é valiosa para aqueles que se ressentem de observar o justo orgulho alheio; por não poder desfrutar de tal delícia.
A pobreza só é valiosa para aqueles que se frustram com a riqueza alheia, consolando-se com tal valorização ideologica ou consensual.

Enfim, onde o lixo predomina, o lixo será valorizado ...a consagração do lixo....

Abraços
C. Mouro

Bira disse...

Essa pergunta é incrivel, porque não copiamos a dinamarca, australia e outros paises em tudo que há de bom?
Será a igreja?
Serão os politicos?
Será o povo ?
Serão os estudantes?

julio_canaris@hotmail.com disse...

http://mediamatters.org/items/200702260007

Zappi, dá uma olhada nisso!

Saramar disse...

Aqui é tudo invertido. Parece-me que vivemos por trás do espelho.
Os honestos se encolhem e se escondem. Os "espertos" nos dominam, com sua esperteza criminosa. Tudo funciona ao contrário: a educação deseduca, a saúde mata e as leis protegem criminosos.
E todos permanecem quietos, como se vivessem no melhor dos mundos.