2007-08-10

Ignorância, saber e fraude - 2

A figura ao lado mostra como os rendimentos de colheitas aumentaram a partir de 1930 nos Estados Unidos. Qual é a razão do aumento de rendimento? Tecnologia. Raças mais resistentes foram desenvolvidas, pesticidas e herbicidas mais eficientes e mais seguros, melhores técnicas de irrigação e fertilizantes químicos balanceados.

A Ciência foi capaz de quase triplicar os rendimentos desde 1930 em uma agricultura que já era avançada, em termos de toneladas/área. Houve um ganho ainda mais impressionante, de produtividade, através da automação da agricultura. Países que aplicaram tecnologias avançadas prosperaram e desenvolveram outras áreas como indústria e comércio enquanto países que não o fizeram passaram fome. Simples, não?

O movimento de hippies e naturebas que insiste em métodos "bucólicos", não faz mais que reduzir a eficiência, diminuir a produtividade, aumentar os preços, utilizar mais espaço para finalmente produzir produtos de qualidade inferior. Impressiona-me que alguém apóie uma semelhante monstruosidade. Entretanto, há milhões de pessoas que defendem essa extravagante estupidez. O ataque dos comunóides da via campesina a um laboratório de pesquisas da Aracruz é um símbolo deprimente dessa mentalidade torcida.

Hoje entretanto queria falar de mais uma forma de fraude que não passa de uma vil exploração da ignorância da população. Ela se chama Homeopatia.

Nas eras obscuras da Medicina, quando não existiam anestésicos e os tratamentos disponíveis pareciam extensões das técnicas de tortura dos calabouços do Vaticano, um alemão chamado Samuel Hahneman achou que tinha encontrado um caminho melhor. Certa feita ouviu dizer que um extrato da casca de uma árvore peruana tinha efeito contra a malária (Quinino). Médicos da época, início do século 19, diziam que a razão da eficácia do Quinino e era a sua adstringência. Hahneman notou que outras substâncias adstringentes não tinham efeito contra a Malária e decidiu tomar o remédio ele mesmo para verificar os seus efeitos no organismo humano. Por algum motivo a casca de árvore causou nele sintomas similares aos da Malária, o que fez com que formulasse o princípio da Homeopatia: "Aquilo que causa os sintomas também cura as doenças que apresentem os mesmos sintomas".

Hahneman tinha um problema, no entanto. Os "remédios" que produziam os graves sintomas das doenças que ele desejava curar eram tão ou até mais perigosos que a doença em si. Em muitos casos eram venenos mortais.

A partir daí, temos um típico caso de um cientista que se apaixona pela própria teoria. Como todos os cientistas modernos sabem, isso é fatal: deixa-se de enxergar tudo aquilo que contradiz a "querida" teoria.

Para corrigir o pequeno problema de que os remédios matavam mais do que a doença, Hahneman decidiu diluí-los. Chegou a diluições infinitesimais, tão pequenas que o doente na verdade não tomava nada do principio ativo do remédio. Entretanto Hahneman continuava vendo cura pelo remédio onde o próprio organismo estava se curando sozinho. Naquela época não existiam estudos científicos baseados em estatísticas e que anulassem o efeito placebo.

Baseados nessas teorias mal formuladas, porcamente testadas e com componentes sobrenaturais e irracionais, criou-se um verdadeiro castelo ao redor da Homeopatia. Nunca houve um estudo que mostrasse algum indício firme da veracidade desta teoria. Até hoje há pessoas que se acreditam médicos e envolvem os pacientes que deveriam estar procurando tratamento convencional. Esta atitude é criminosa e inescrupulosa. Homeopatia é fraude. É só mais uma maneira de tirar dinheiro de trouxas. Arriscando-lhes a vida.

2 comentários:

pait disse...

Acrescentando: o fundamento da homeopatia é a negação da idéia de que as substãncias são formadas por átomos e moléculas. Só assim uma diluição infinitesimal, em proporção menor que o inverso do número de Avogadro, poderia reter propriedades das substâncias dissolvidas.

O problema é que a matéria é composta de átomos, sem sombra de dúvida. Portanto a homeopatia é uma superstição mais irracional do que, por exemplo, acreditar em bruxaria ou astrologia. Enquanto o máximo que se pode dizer sobre a astrologia é que inexiste qualquer indicação de que os astros influenciem a personalidade do indivíduo, a homeopatia contraria fatos bem estabelecidos cientificamente.

Orlando Tambosi disse...

Pseudociências, bleargh! Falei hoje em "florais de Bach", vendidos em farmácias...

Abs.