2007-01-20

Como consertar o Brasil

Visto de fora, o problema brasileiro nem é tão espinhoso como parece daí. O Brasil poderia ser corrigido com algumas medidas simples. Afinal, no que esse país difere de outros que deram certo? Por que o Brasil é um país tão atrasado? O famoso ideólogo Chico Buarque costuma colocar a culpa na classe média. Esta, silenciosamente, aceita e ainda por cima chora com as mazelas da "Gente Humilde". Pois bem, desta vez falando sério... em vez de tentar transformar o Brasil em Cuba, ou em Angola (ah... Morena de Angola) o que seria necessário para que o país passasse a funcionar como uma Alemanha ou Austrália?

Por incrível que pareça, só uma ligeira mudança de rumo é necessária. Vou listar abaixo, para ficar mais fácil de entender:

Correção do sistema de impostos

Hoje o sistema de arrecadação é um caos, complicando a vida econômica do país e onerando custos de bens de primeira necessidade. Não deveria existir nenhum imposto sobre faturamento ou sobre transações financeiras. A estrutura de impostos do Brasil é ridícula, com impostos incidindo sobre impostos e colocando limites sobre o valor mínimo de margens de revenda, encarecendo a distribuição de bens.

Reduzir o número de impostos a apenas dois (renda/lucro e Imposto sobre valor agregado) teria como efeito um aumento instantâneo de produtividade, uma desoneração de produtos e serviços e imediato investimento nos setores produtivos. Haveria uma explosão na atividade econômica que proporcionaria uma melhora no nível de vida além de aumentar a arrecadação e reduzir a sonegação a médio prazo.

Redução dos gastos públicos

Esta medida, imprescindível para limitar a gastança e a roubalheira no governo, já foi aconselhada por mais de uma entidade internacional. Além disso, um superavit fiscal tornaria o investimento possível nas áreas em que o governo deve agir, como educação básica e saúde. Sanear o governo é fundamental.

Foco do governo em educação básica, saúde pública, justiça e segurança

O governo deve se desligar de atividades que não sejam de sua alçada. É muito difícil que uma tarefa seja exercida pelo governo de maneira eficiente, e no Brasil isso é praticamente impossível. Basta lembrar situação lamentável em que estavam as telecomunicações antes da privatização. Hoje, o Banco do Brasil e a Petrobrás deveriam estar na primeira linha das empresas a serem urgentemente vendidas.

Aborto e planejamento familiar

Na área da saúde pública, um ponto importantíssimo é o planejamento familiar, hoje relegado ao esquecimento. Sem aborto e planejamento familiar provistos gratuitamente pelo sistema de saúde pública, não há como famílias de baixa renda escaparem do ciclo miséria-ignorância-mais filhos-miséria. A gravidez de adolescentes e a mortalidade extremamente alta de mulheres no Brasil teriam fim quase instantaneamente. O número de crianças abandonadas diminuiria substancialmente. O aborto livre deve ser legalizado. Outros meios de planejamento familiar serão provistos pelo Estado como conseqüência.

Incentivos econômicos para quem estudar, superando marcos. Redistribuição de renda com mérito próprio.

Em lugar de distribuir bolsas para quem tem mais filhos sem nenhuma contrapartida, um esquema de prêmios por mérito pode ser desenvolvido. Neste tipo de esquema, adultos que estudarem e comprovarem conhecimentos receberiam uma ajuda do governo. Esta ajuda estaria condicionada à performance no estudo. Vários cursos de suplementação poderiam ser oferecidos, enfatizando conhecimentos práticos, alfabetização, línguas e conhecimentos científicos.

Impostos para todos os cultos, seitas e religiões.

Necessário para desestimular atividades improdutivas e geradoras de evasão de divisas como cultos religiosos. Doações a igrejas seriam taxadas com o nível mais alto de imposto (50%).

Sistema representativo com voto distrital e redução no número de partidos

O sistema político tem que representar os eleitores de uma maneira clara e inequívoca.

Eliminação imediata da imunidade jurídica para representantes do povo

Nem vou comentar esta... demasiado óbvia.

A malandragem não é um objetivo a ser alcançado.

O malandro é uma pessoa que interfere com o desenvolvimento. Ele deve ser preso. A cultura do malandro terá que ser eliminada, como a cultura da favela e a cultura do traficante, bicheiro e criminosos como MST, UNE e outras organizações do crime. Tudo isso, lamento dizer, não tem nada a ver com cultura. É a celebração da ignorância suprema. Tudo isso tem que ser implacavelmente exterminado. Não estou falando em extremismos, estou falando em simples bom-senso.

Eliminação de repasses do governo a ONGs.

Estímulo à livre empresa e ao Capitalismo. Criminosos na cadeia. Crimes comuns punidos severa e exemplarmente, com penas longas e sem direito a indultos. Crimes ao sistema financeiro punidos exemplarmente com prisão. Criar um incentivo para que as pessoas queiram enriquecer. Ricos não podem ser punidos por terem trabalhado honestamente e ganho dinheiro. Eles são a semente do progresso e de mais investimento. Modificação do sistema judiciário para permitir maior celeridade. Se a justiça do Brasil pode proibir a internet, com muito mais razão poderá punir crimes de verdade.

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Todas estas medidas apontam para o progresso. Cursos de conscientização sobre as calamidades geradas pelo comunismo e sobre as vantagens do capitalismo ajudariam, assim como alguma propaganda na TV. Se aplicadas agora, essas providências tornariam o Brasil um país extremamente próspero em menos de uma década. O problema é que ninguém parece defendê-las neste momento. Quanto mais tarde forem aplicadas, mais difícil será a recuperação. Pensem a respeito, escolham um ítem ou mais, iniciem uma campanha e repassem... Simples bom senso é o melhor remédio para o idiota latino-americano.


12 comentários:

Julia disse...

Zappi,

Todos os itens deste POST são IMPORTANTES!

Mais claro não pode ser!!!!

Abrs

otambosi disse...

Caro Zappi,

o que você propõe é uma verdadeira revolução. Assinalaste pontos importantíssimos, mas, lamentavelmente, ninguém levantará um dedo para realizá-los.
Não adianta, o Brasil precisa ser redescoberto e repovoado (rs).

Abração

Zappi disse...

Olá Tambosi,

Não acho que eu tenha proposto uma revolução tão radical. Acredito que muita gente vai concordar com cada ponto... qual o problema de tentar?

Vamos tentar, ué...

Saramar disse...

Zappi, como sempre, você foi didático.
Todos os aspectos que descreveu são perfeitamente realizáveis desde que a cúpula governante estivesse realmente interessada no desenvolvimento do país. Porém...

Creio que devem partir dos cidadãos as iniciativas para que cada uma desses remédios comecem a fazer efeitos.

Obrigada pela magna lição.

beijos

C. Mouro disse...

Bem, o que eu considero mais importante é que legisladores só pudessem se eleger uma única vez na vida.
Pois assim, teriam que viver como cidadãos comuns, pagadores de impostos e sujeitos a legislação. Portanto, quando lá estivessem pensariam em leis justas e úteis, já que depois sofreriam as consequencias de suas leis.
Do jeito que tá é uma moleza, até pela lei estabelecer privilégios para determinados grupos e até para indivíduos. Sem contar que a maioria vive do Poder, sem nunca sofrer na carne as consequencias do Poder.

Claro então que as leis deveriam ser absolutamente iguais para TODOS, sem qualquer tipo de privilégio a quem quer que fosse.
As leis também deveriam ser AUTO APLICAVEIS; e o aparato judiciario deveria apenas SERVIR PARA DIRIMIR DÚVIDAS e NÃO PARA APLICAR A LEI.

nÃO DEVERIA EXISTIR CARGO PÚBLICO VITALÍCIO - digamos p/ exemplo no máximo 12 anos - Assim, os juizes se colocariam na mesma posição dos "comuns mortais" e tenderiam a ser mais decentes em suas senteças. Afinal, saberiam o que é estar "do outro lado" algum dia.


Ou seja, na verdade se deveria construir um "algoritmo" que levasse governates e autoridades a se verem "do outro lado" conscientes de que o que fizessem de mal a outros poderia ser nocivo a si e/ou aos seus no futuiro.

SÓ ASSIM HAVERIA JUSTIÇA.
Como bem nos diz Nietsche, há justiça quando há equilibrio de forças.
Do jeito que é, a organização estatal é apenas uma organização de bandidos que exploram a população habitante sob seus domínios. Quando deveria ser como uma empresa prestadora de serviços, e não como uma organização proprietária da população.

Abraços
C. Mouro

Zappi disse...

Concordo, C.Mouro! As medidas que mencionei, entretanto, deveriam ser mais simples de aplicar do que essa (não estou defendendo o fim da mamata... ainda)

Eu só quero que o rumo mude: o Brasil tem que parar de descer e começar a subir. Qual a medida que você gostaria de defender? Como fazer para divulgá-la e defendê-la?

C. Mouro disse...

Zappi,
só tem uma coisa capaz de garantir que um indivíduo seja honesto, e é o orgulho. Pois mesmo que ninguém saiba o que ele faz, ele saberá.
Ou seja, há que se criar um algoritmo que impeça o individuo de ser desonesto, já que ladinamente todas ideologias combateram o orgulho individual.
.
Assim, embora no feudo bananéio haja muito o que se fazer, eu penso que para começar tem que ser algo de fácil assimilação pela massa - o sociallismo é facilmente assimilado até pelos cães de rua: pegar aquilo que já existe, pegar de quem tem. Então, o apelo para que o legislador possa se eleger uma única vez na vida em cada instância será muito bem assimilado pela massa. Ou seja, ele viverá do Poder or no máximo 12 anos. No nivel municipal 1x vereador, no estadual 1x deputado e no federal 1x dep. ou senador.
O argumento convincente para a massa é que se o eleito sabe que será um cidadão comum, um pagador de impostos sujeito às leis, que sofrerá as consequências das suas leis, ele fará leis uteis ao tal de povo e não leis úteis ao Poder, aos políticos e autoridades. Afinal, se o povo foi convencido de que "alguém do povo" será melhor para o povo, será fácil faze-lo perceber que o político profissional não é alguém "do povo".

Depois seria útil a insistência na IGUALDADE, mas não a igualdade material, e sim a igualdade perante a lei e mais ainda a igualdade perante o Estado. Ou seja, todas as leis só podem existir se forem claras, objetivas e aplicáveis sem distinção. O que vale dizer que seriam para proibir e não para permitir.
O termo igualdade foi deliberadamente deturpado em favor do Poder. A exigência de igualdade (que se pode perceber que será a liberdade) foi ladinamente deturpada para uma exigência de "igualdade material", tipo uma "babel" forjada na propaganda: se uns gritavam igualdade no sentido de ausência de privilégios, outros gritavam igualdade no sentido de equiparação material (fraude, pois impossível). E, óbvio que os interesses do Poder, estabelecido, foram mais barulhentos, e se acabou entendendo igualdade entre os individuos como igualdade entre os bens e renda dos indivíduos, digo: dos "indivíduos iguais", pois que autoridades nunca se incluem nessa igualdade.

Assim, começar um berreiro por igualdade perante o Estado, perante a lei, conquistaria facilmente a massa, mostrando-lhe que ainda vivemos como na idade média, com privilégios para cargos hierarquicos e até para indivíduos escolhidos pelas "artoridades" em situações específicas.
Essa da igualdade perante o estado seria uma moleza. Mas tinha que haver barulho, muita visibilidade, pois a massa considera que mais verdadeiro é o que mais se faz perceber.
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Claro que há muito a organizar nestas questões, mas a idéias favorecerá a ação nas "minúcias".


Abraços
C. Mouro

Julia disse...

C.Mouro,

Suas colocações são viaveis MESMO!

Abrs

Gian disse...

Se eles não fossem imunes ao bom senso não seriam idiotas latino-americanos.

Bira disse...

Não há espinhos. Há sim a necessidade de não atender a necessidade popular e sim aos interesses do capital que os patrocina.
Quem serão?

C. Mouro disse...

Enquanto o Poder for útil àqueles que o ocupam indefinidamente, eles continuarão desejando-o totalitário.

O grande problema é que há mesmo aqueles que querem o Poder para impor as suas vontades e manias, de forma que não se opõem ao Poder mas apenas aos que o ocupam.

...sinceramente, por isso, penso que não há muita esperança para uma população livre.

Abraços
C. Mouro

Anônimo disse...

Boa receita, faltou colocar acabar com os incentivos para ter filhos. Hoje quanto mais, mas recebe ajuda.

Por outro lado, o mais facil é nao voltar para o Brasil.