2007-04-23

País pobre, país rico

Era uma vez um país rico que insistia em subjugar um país pobre.

Era uma situação muito difícil para o país rico. Havia que gastar muito dinheiro mantendo violentas ditaduras militares de extrema direita. O custo político era altíssimo: manifestações de esquerdistas paravam as ruas do país rico com frases como "Liberdade para Pobrelândia" ou "Fim da dominação imperialista", e por aí vai.

A vida também não era nada fácil no país pobre. Havia uma oposição clandestina contra os militares, cada vez havia mais revolta e greves. Os militares agüentavam firme, mas necessitavam cada vez mais auxílio militar do país rico. Este auxílio era pago regiamente com minérios e diamantes, trocados por armamentos e tanques anti-motim. Em um esforço para tentar conter a intranqüilidade e livrar-se dos opositores, o regime militar criou um slogan "Pobrelândia, ame-a ou deixe-a!" e outro "Pra frente pobrelândia", mas nada adiantava.

Pobrelândia estava saindo muito cara para o país rico. Os militares exigiam cada vez mais pelos diamantes e minérios, chegou ao ponto em que não valia mais a pena gastar dinheiro nesse país idiota.

Foi aí que os eventos tomaram um rumo surpreendente: exatamente quando o país rico estava decidindo deixar os militares de Pobrelândia minguar à própria sorte, um representante do Partido Revolucionário Trabalhador de Pobrelândia (PRTP) solicitou uma audiência com o presidente do país rico. Este, que não era tonto nem nada, mandou em seu lugar o terceiro suplente do assessor do segundo adido militar, acompanhado de artilharia pesada e centenas de soldados e guarda-costas.

A proposta revelou-se interessante: o PRTP ou Partidão Pobretão, como era popularmente chamado, propunha auxílio para uma "transição democrática" e grana para eleger como presidente o Truculento Mulla, um sindicalista conhecido por acordos obscuros com patrões. Em troca, Truculento Mulla e o Partidão Pobretão venderiam as riquezas de Pobrelândia a preços muito mais camaradas que os milicos, além de destruir a oposição utilizando um método novo: o emburrecimento geral, um método muito mais eficiente e barato que os métodos tôscos e violentos dos milicos.

Um acordo verbal foi conseguido. Truculento Mulla sabia tudo sobre truculência. Era claro que o acordo não valia nada, mas o serviço secreto do país rico iria exterminá-lo e a toda a sua família se ele não cumprisse adequadamente a sua parte. Truculento Mulla não estava blefando, entretanto. Sabia perfeitamente que, se destruísse a economia de Pobrelândia, sobraria mais para ele e para os de seu Partidão Pobretão.

Simulando anti-imperialismo, ganhou os corações dos esquerdistas do país rico, que não entendiam nada do que estava acontecendo na realidade. O presidente do país rico disse que "não tolerariam regimes anti-democráticos" e forçaram os milicos a sair do país pobre. Truculento Mulla iniciou a sua campanha de destruição da classe média e de emburrecimento compulsório. Mediante pagamentos de subornos extremamente módicos, o país rico ganhou acesso irrestrito às riquezas de Pobrelândia e nunca mais enfrentou oposição interna. Nunca antes nesses países havia exisitido um acordo tão vantajoso para ambas as partes, o país rico e o PRTB, ou Partido Revolucionário Trabalhador de Pobrelândia, que insistia sempre ser chamado Partidão Pobretão, ainda que de pobre tivesse agora somente uma fina camada exterior, só para Inglês ver.

2 comentários:

Zappi disse...

Ih, esqueci de dizer que essa história é uma ficção completa e qualquer semelhança com pessoas reais é pura coincidência...

Droga, o que essa foto do Bush está fazendo aí?

Julia disse...

Zappi,

Acho que é o destino que quer assim...então a photo pode continuar nesta ficção...

Volto (estou em paperrasse...)