2006-05-25

Amanhã vai ser outro dia - 2

Durante os problemas em São Paulo, vi uma reportagem da BBC na TV. Falava algum funcionário de uma ONG, dizendo que inicialmente o objetivo deles era melhorar as condições dos presídios no Brasil, mas que os presos se aproveitaram disso para usá-los para aperfeiçoar técnicas criminosas. Foi a única reportagem lúcida sobre o assunto a que assisti. Pena que durou uns poucos segundos.

De onde saiu o Marcola? Vejam aqui quem realmente é esse cara e o que ele faz da vida.

Uma vez uma professora do Instituto de Matemática da USP, de nome Lucília, perguntou o que eu fazia para viver. "Tenho uma microempresa." - respondo. Nesse momento ela, agressiva, começou a insinuar que os "empresários" como eu é que tinham a culpa dos problemas do Brasil. Naquela época, mais de dez anos atrás, fiquei atônito: como podia ela dizer isso? Em que eu tinha mais culpa do que ela, uma professora de matemática petista?

Imagino o que ela deve estar pensando agora. Talvez que o Marcola é um grande líder e deveria ser anistiado, como José Dirceu.



Continua...

Um comentário:

Shirlei Horta disse...

É duro concordar com o texto. Mulheres - eu sou extremamente mulher - têm a concepção (aliás, são donas da concepção stricto senso) do mundo do ponto de vista do que é melhor para o futuro - o futuro carrega os seus filhos da mesma forma como os carregaram no ventre um dia. A gente quer um mundo melhor, sonha um mundo melhor, batalha e pensa construir um mundo melhor. Os cantos vivos, as arestas, os objetos pontiagudos ou afiados são vistos com muita dor, ao contrário do pragmatismo e da força física capaz de remover esses obstáculos, que são próprios dos homens. Mas ler seus textos e os que lhe dão suporte deixa pouca escolha, além de uma tristeza circunstancial. Sim, porque esta última não se mantém para além do texto lido. Temos que continuar lutando, tentando, caindo e levantando. Também aqui não há opções possíveis.