2007-09-01

Comparando o Maluf ao PT

Não é sempre que concordo com o Reinaldo Azevedo, mas neste artigo ele acerta em cheio. Vale a pena ler:
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O petismo não é um malufismo. É muito pior. Ou: do que é imoral e do que é amoral

O PT, além de carregar todos os males da esquerda — a começar da suposição de que seus partidários cometem crimes para o nosso bem —, associou-se a tudo o que havia de nefasto na chamada política tradicional, alçando o assalto aos cofres públicos a uma categoria de pensamento.

Maluf era menos deletério para a política brasileira do que Lula e o PT. Aquele sempre teve a cara da exceção, do desvio, do que estava fora da norma. Estes outros, ao contrário, querem transformar a sua prática em medida de todas as coisas. Estou bem à vontade pra falar. O ex-governador sabe o que penso dele e, por isso, me processou. Ganhei. Num programa Roda Viva, há coisa de três anos, por aí, dei um xeque-mate nele no ar: “Olhe para as câmeras e diga que as autoridades suíças estão mentindo quando dizem que o senhor tem dinheiro lá”. Ele, é evidente, não disse: “Esssto é você que está deeezeeenndo, Reinaldo”. Sendo quem é, reitero, ele é menos deletério.

Por quê? Recorro a uma metáfora sempre freqüente quando o assunto é política: doença. Maluf pode ser uma gripe, às vezes, uma pneumonia — quem sabe uma dessas perebas de pele de que as pessoas são vítimas: não mata e também não sara. Fica ali, infernizando a vida. Mas se trata apenas de achar o remédio adequado. O organismo ainda está saudável, embora hospede alguma estranheza. O petismo é diferente. É daquelas doenças que alteram o código genético do organismo, que causam deformidades, que podem ser transmitidas a gerações futuras. Não se resolve pontualmente porque o mal que faz se entranha na própria natureza do sistema.

Vejam só: a cada vez que Paulo Maluf, para incredulidade de quase todos, nega as coisas que lhe atribuem, o sistema político se lembra de que tem de ser decente. Vale dizer: distingue-se o certo do errado. Por que ele nega? Porque ele sabe que a acusação que lhe fazem não é coisa bonita; ele não tem explicação pra ela, além do surrado: “é coisa dos meus adversários”. Ele não nos pede que o aceitemos com as suas, digamos, “particularidades”. Já com o PT é diferente. A síntese de seu discurso poderia ser esta: “Fizemos, sim; todo mundo faz, e vocês só estão nos acusando porque são preconceituosos”. Quando isso se dá, o mal se estabelece no coração do sistema.

A partir deste momento, estamos todos convidados a ver com outros olhos a corrupção. Ela passa a ser uma espécie de aliada necessária. Em vez de combatê-la, somos chamados a compreendê-la. O que quero dizer é que o malufismo morrerá com Maluf, mas o petismo pode sobreviver ao próprio Lula porque lhe é, inclusive, anterior. Ele nasceu junto com o primeiro homem que decidiu cometer um crime afirmando estar fazendo um bem. Em suma, é mais fácil reconhecer e combater a imoralidade do que a amoralidade.
Reinaldo Azevedo

3 comentários:

Bira disse...

O PT não carregua o mal, é o próprio encarnado!.
Quem abençoaria aumento de impostos sobre pobre!.

Geraldo Guarulhos, SP disse...

Reinaldo Azevedo, como sempre, perfeito. Mata a cobra e mostra o pau... Parabens ao Zappi por reproduzir o artigo.

Zappi disse...

Geraldo,

Não é sempre que o Reinaldo Azevedo acerta. Quando se refere a religião, mostra uma completa falta de inteligência. Ele acha que a dele (Católica) é a religião "correta", acha que religiosos podem impor seus dogmas em lei... É verdadeiramente deprimente ler seus comentarios sobre anencefalia, aborto, Terri Schiavo, eutanásia. É um puxa saco do Papa como ninguém.

É uma pena que um dos poucos que atacam o Lula adequadamente tenha uma faceta tão terrivelmente atrasada. Ponto para o Lula, infelizmente.