2007-11-11

Uma médica que faz abortos

Vale a pena ler a entrevista completa aqui. Ela descreve os conflitos e recompensas de uma médica que faz abortos. Descreve também a inacreditável hipocrisia das militantes anti-aborto. Muito impressionante. Imagino o que uma pessoa pobre no Brasil tem que sofrer hoje para conseguir fazer um aborto.
Uma pergunta que Wicklund ouve “toda hora”, diz ela, é como é possível que seu foco seja aborto, e não algo mais gratificante, como partos. “Na verdade, as mulheres são muito gratas”, declarou a médica. “Elas ficam gratas por saber que podem passar pelo procedimento com segurança e que poderão engravidar novamente depois”. “É uma das poucas áreas da medicina na qual você não está trabalhando com alguém doente, mas sim fazendo algo para elas, algo que lhes devolve suas vidas, seu controle”, acrescentou. “É algo gratificante para se tomar parte”.

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4 comentários:

luiz.mezzomo disse...

Sou contra o aborto e não sinto-me nada hipócrita, por defender a vida.
Se o aborto é uma necessidade para a mulher, na mesma linha, a da hipocrisia, então poderíamos afirmar que os defensores de penas judiciais para os criminosos são hipócritas; uma vez que o criminoso comete o seu crime por necessidade, como dizem os socialistas, necessidades sociais.

Zappi disse...

Hipócrita (ou ignorante) porque chama de "vida" um óvulo fecundado. Hipócrita porque é homem e quer restringir um direito que pertence às mulheres. Hipócrita (ou ignorante) porque chama de "crime" o que na verdade não é.

A hipocrisia a que me referia (leia o texto) é diferente. É a das mulheres que são contra o aborto mas já fizeram ou tiveram irmãs ou parentes que fizeram. O texto cita um caso de uma militante antiaborto que foi fazer aborto na clínica de Susan. Hipocrisia ou não?

Maria do Espírito Santo disse...

Você é exato, Zappi, mas pode também ser considerado um zipper porque com duas ou três frases precisas você fecha a matraca dos que fazem caras e principalmente bocas "abstratas" de defesa da vida.
Esses defensores hipócritas "da vida" pensam o quê? Que uma mulher se submete a um aborto porque são à favor da morte?! Reproduzir é instintivo, é inerente à espécie e extremamente prazeroso. Mas quem segue apenas os próprios instintos "naturais" se esquece da "natureza humana", da dignidade que se deve dar a cada novo ser que nasce. Defende a dignidade da vida quem reflete primeiro se está em condições de criar um filho com dignidade. Dignidade mesmo, no duro da cebola, e não essa dignidade panfletária ridícula e epitelial que sai da boca dos falsos moralistas.
Beijo procê, Zappi, meu canguruzinho preferido!

Anônimo disse...

Fico tentando imaginar com que direito um homem pode querer obrigar uma mulher a ter um filho gerado por um estuprador. A desumanidade deste tipo de antiabortista é que me deixa indignada.O raciocínio deles não poderia ser mais mostruoso e deve seguir +- os passos seguites:foi estuprada? e daí?engravidou? e daí,se sabe que mulher pode ser violentada e engravidar que se previna[da gravidez, decerto, que do estupro não sei como],tem de ter o filho do estuprador e daí? a criança não tem culpa, se não quer criar que doe...E por aí vai o 'humanismo' dessa gente,negando o direito da mulher de parir ou não um filho literalmente enfiado em suas entranhas,sem que ela o pedisse, o desejasse o quisesse, o aceitasse.Como se a gravidez,este arbítrio da 'mãe' natureza,mais madrasta que mãe,tirasse da mulher sua individualidade, passasse a ser uma coisa teleguiada,desapropriada de suas vontades, apenas uma hospedeira a serviço do 'outro ser'; e ela não é mais um SER?Deixou de sê-lo quando?por quê?
Não concordo com abortismo como esporte.É uma manobra cheia de riscos, mesmo qdo feita por médicos, em hospitais etc.
Quem não quer ter filhos que não os faça, se cuidem, mulher e homem,pois filho não nasce só de mãe.Abortamento deixa marcas no corpo, na mente( ou alma , como quiserem)da mulher, coisas essas que só ela sente, só ela sabe dimensionar, de acordo com sua sensibilidade, sua história de vida,seus valores.Mas dela deve ser a última palavra, não dos outros, não deles,homens,principalmente.
Defendo a pena de morte, tb,até porque o já nascido e criado teve chance de escolhas,quando tirou uma vida,com roubo, com estupro, ou sem tais agravantes, sabia o que estava fazendo,que a vítima não sairá da cova depois de cumprir um terço da eternidade.
O Estado deve ter o direito de matar,em nome daqueles que não podem fazer justiça pelas próprias mãos.Que o Estado nos tome as dores e aplique as penas, proporcionais ao crime.

Controle de natalidade por abortamento não vejo com bons olhos,tira dos homens a parte que lhes cabe nesse latifúndio da reprodução; defendo, antes, a vasectomia, mais fácil e sem riscos do que laqueaduras nelas.Ou contracepção por pílulas, injeções etc.Mas sempre em partes iguais pros dois lados, homem e mulher. Em pelo terceiro milênio,ainda a carga toda das culpas é das mulheres. Essa maldição de "Eva" não acaba nunca...
Lia/floripa