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2011-08-01

A melhor estória jamais escrita




Não, pessoal, não é "Harry Potter" não. Nem é a Bíblia. É uma estória contada em 1957, um romance de ficção que acabou se tornando realidade.

Finalmente consegui terminar o livro de Ayn Rand "A Revolta de Atlas" (original: "Atlas Shrugged"). É difícil explicar quão fantástico é o livro. Sem sombra de dúvida, jamais em minha vida li nada que fosse capaz de explicar o mundo em que vivemos com a precisão e lógica perfeita desta obra-prima.

Imaginem vocês que em um livro escrito em 1957 Ayn Rand previu:


  • O Lula.
  • A Dilma.
  • O Obama.
  • A crise americana.
  • A crise mundial.
  • Os piratas da Somália.
  • As regulamentações ambientais.
  • Os cientistas corrompidos pela política (global warming).
  • A dívida americana.
  • Os "intelequituais" de esquerda.
  • Os "empresários" que vivem de mamar do dinheiro público.


Está tudo lá. O mais interessante é que tudo é em um estilo art-decô, bem anos 50, com uma ferrovia transcontinental e Nova Iorque como pano de fundo. É fácil no entanto transferir o conto para os dias de hoje. Em muitas maneiras parece mesmo que estamos indo para trás!

Como é que Ayn Rand sabia de tudo isso? Como conseguiu prever o futuro de maneira tão perfeita?

Perguntada a respeito ela deu uma resposta mais ou menos assim:

"É muito fácil prever o futuro quando sabemos qual a mentalidade preponderante no presente."

Para comprar a versão em português clique na capa. A versão em inglês, que recomendo, está disponível na Amazon por quase nada:



Mas se mesmo assim você não tiver certeza se o livro é mesmo tão bom assim, veja o que dois contemporâneos de Rand, os economistas Murray Rothbard e Ludwig von Mises tinham a dizer, em cartas enviadas diretamente à autora (aqui).

Pode tambér ler um pouquinho do livro no site da cultura (aqui).

Como mínimo eu prometo uma coisa. Depois de ler este livro, você vai entender direitinho tudo o que acontece ao redor de você, na sociedade e no governo, na economia e na política, mesmo que hoje pareça tudo muito bizarro e louco.

Está tudo lá!!!

Atualização: Acabo de ver no blog do Tambosi a charge do Sponholz que traz uma frase de Ayn Rand. Olhem só e digam se ela não estava descrevendo o Lula e sua gangue:


2009-10-05

O maior dos presentes

Ganhei um fantástico presente. Herdei uma biblioteca. Mas não é uma biblioteca pequenina não. É uma biblioteca com mais de um milhão de volumes!

Ainda não me refiz do susto. Como foi que eu fui escolhido para receber essa magnífica herança se nem conheço o meu benfeitor? E como vou fazer para começar a ler os meus livros, tantos livros, que são somente meus e estão todos ao alcance dos meus dedos?

Não termina aí a minha imensa sorte. Acontece que meu benfeitor também era muito organizado. Os livros estão catalogados em índices por assunto, autor e palavras de referência. Não há como perdê-los na imensidade das infindáveis estantes. Tudo isso para mim.

E o custo de manter estes volumes em ordem? Alguns livros tem mais de 300 anos! Até nisso o meu benfeitor pensou. Está tudo pago enquanto eu viver. Os restauradores, o ar condicionado, um batalhão de especialistas trabalhando para mim.

Comecei a explorar a minha livraria. Procurei "Química", que é um assunto de que gosto. Lá estão as obras originais, nas primeiras edições de Berthelot, Lavoisier, von Liebig. Livros raríssimos! Não serei capaz de explorar completamente os livros de química nos anos de vida que me restam. Isso sem contar todos os outros assuntos, científicos, livros de arte, literatura, arquitetura, música, engenharia...

E por que eu? O que eu fiz de especial para ganhar este presente?


Bom, na verdade eu ganhei os livros porque gosto de ler. A maior parte das pessoas jamais vai vê-los, mas aquele que gostar de livros como eu gosto pode ganhar uma biblioteca igualzinha. Como?

Ora, é só clicar aqui. Open Library é parte de um monumental projeto de digitalização de todos os livros que a humanidade já escreveu. Se quiserem baixá-los convém fazê-lo no formato .djvu (dejàVu) que tem um programa leitor grátis. Podem também ser lidos on-line. Isto é só uma amostra do que vem pela frente. É uma revolução como nunca houve na história da humanidade.

Nunca tantos livros foram tão acessíveis. Os livros raros nunca mais serão raros. A parte difícil é encontrar alguém que goste de ler, especialmente no Brasil. Se você for um deles, fique grato pelo gigantesco presente que você acaba de receber e passe adiante! Divirta-se!

2008-10-02

Livros velhos ma non troppo

Até os sebos da Austrália são melhores que os do Brasil. O que estou dizendo? Claro que os sebos são melhores, ninguém lê nada no Brasil e, quando lê, é naquele dialeto do espanhol... algum livro do cretino do Paulo Coelho, ou a biografia de Lula, vocês sabem.

Em um desses sebos escondidos na cidade encontrei uma verdadeira obra prima. Chama-se "The New Intelligent Man's Guide to Science", de Isaac Asimov. Só que esta não é uma obra de ficção: o autor propõe-se a explicar o estado das ciências na época em que o livro foi escrito, no meio dos anos '60.

Nunca antes tinha visto tanto material e tão lúcidas explicações. O livro é divido em capítulos com nomes como "O Universo", "A Terra", "A Molécula", "A Célula" e assim por diante. As descobertas mais relevantes nessas áreas são citadas e explicadas sempre de forma que uma pessoa inteligente possa entender. Claro que muito mais seria necessário para realmente compreender cada uma das disciplinas, mas o livro tem o mérito de explicar um pouco da seqüência em que foram feitas descobertas cruciais e, o mais importante, como sabemos disto ou daquilo. Muitas vezes explica-se que o universo é assim e assado mas não se descreve o raciocínio que fez com que os cientistas chegassem a essas conclusões. Por diversas fiquei sabendo de muito que não sabia, especialmente no fantástico capítulo "A Molécula" que descreve a tortuosa seqüencia sobre a qual foi montado o edifício da Química Orgânica.

Sem sombra de dúvidas, o melhor livro de Asimov que já li. Uma maneira prática de compreendermos o mundo à nossa volta e as descobertas que possibilitaram o mundo moderno e o excelente nível de vida e conforto de que gozamos.

Tem até entrada na Wikipedia aqui. Para comprar na Amazon, clique aqui.

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Um leitor ficou chateado porque chamei o Português de "dialeto do Espanhol". Há que aceitar os fatos, caro leitor. Os galegos também acham ruim, mas a verdade é que o Galego é um dialeto do Español quase igual ao Português. Uma forma de verificar o que digo é pegar um dicionário português-espanhol e contar quantas palavras não são simplesmente iguais. Não há duas línguas no mundo mais parecidas, portanto são dialetos uma da outra. O espanhol veio antes e desenvolveu-se melhor, os portugueses vieram na lanterninha. Até hoje há pelo menos dez vezes mais livros publicados em Espanhol do que em Português.

Outro teste para o tal dialeto é procurar "Asimov" e "Ciência" no buscador de livros da Livraria Cultura online. Só aparecem livros em Espanhol. Português é, queiram ou não, só um dialeto. Asimov escreveu dezenas de livros com "Ciência" no título. Bom, a palavra correta é "Science".

2008-06-01

Fuga da União Soviética

George Gamow era um físico nuclear que tentou fugir duas vezes da União Soviética, esse país comunista que, ao lado de Cuba, os petistas tanto admiram . O pobre Gamow tentou fugir de caiaque com a sua mulher, mas desistiu. Não deve ser fácil cruzar a fronteira remando nos gelados mares do norte.

Conseguiu seu intento finalmente, fugindo para os Estados Unidos durante uma conferência de física nuclear. A sua mulher, que era física também, estava lá. Viveram felizes para sempre.

Gamow brindou-nos excelentes livros de divulgação científica. Acabo de ler "The Great Physicists from Galileo to Einstein", que foi um dos últimos. Gamow cita trechos dos "Dialoghi" de Galileu e de Optiks de Newton, entre outros. Também estão presentes o famoso caderno de notas de Faraday e histórias antigas sobre Arquímedes.

O estilo de Gamow é leve e ao lê-lo a Física parece fácil. Mesmo Gamow sofre, entretanto, no capítulo de física quântica, essa estranha conclusão da física moderna. Mas não há outra maneira. Até que um novo Einstein a decifre, a Física Quântica continuará misteriosa... ou será que será um mistério eterno?

O que mais me impressiona na narrativa da história da Física é quão jovem é esta Ciência. Antes de Galileu mal existia e evoluiu explosivamente nos últimos 3 séculos. Este livro é uma lembrança de que o gênio humano consegue abranger mais do que imagina, e com certeza, muito mais do que os clérigos gostariam.

Para comprar este excelente livro, clique na capa abaixo:




2008-05-14

O que meus leitores andam lendo

O New York Times tem a sua lista dos mais vendidos. A partir de agora, o blog do Zappi também tem, e estou orgulhoso de meus leitores. Pedi um relatório de vendas na Livraria Cultura para ter uma idéia do que os que visitam este modesto blog estão lendo. Veja o resultado:

RICHARD DAWKINS - HOW A SCIENTIST CHANGED THE WAY
ANCESTOR'S TALE, THE
SENHOR ESTA BRINCANDO, SR. FEYNMAN?, O
CYBERIAD
SALMON OF DOUBT, THE
BLANK SLATE, THE
DRAGONS OF EDEN, THE
DIRK GENTLY'S HOLISTIC DETECTIVE AGENCY
ESTATISTICA BASICA
PROBLEMAS DA FISICA MODERNA
FERROHYDRODYNAMICS
METHODS OF THERMODYNAMICS
CONFORMAL REPRESENTATION
THERMODYNAMICS AND THE KINETIC
THEORY OF GASES
ARCO-IRIS DE FEYNMAN, O
STOCHASTIC TOOLS IN TURBULENCE
MAGNETIC RESONANCE IMAGING
100 GREAT PROBLEMS OF ELEMENTARY MATHEMATICS
ELEMENTARY REAL AND COMPLEX ANALYSIS
CHALLENGING PROBLEMS IN ALGEBRA
ERA DA TURBULENCIA, A
LULA E MINHA ANTA
SEINFELD - 9ª TEMPORADA (4 DVDS)
PSICOLOGIA INTEGRAL
ESPIRITUALIDADE INTEGRAL
HOW TO THINK ABOUT THE GREAT IDEAS
CAMINHO DA SERVIDAO, O
MUNDO DE LADROES, UM
ULTIMO VOO DO FLAMINGO, O
UM, NENHUM E CEM MIL
AMERICA'S SECRET WAR - INSIDE THE HIDDEN WORLDWIDE
DESVENDANDO O ARCO-IRIS
PEQUENAS MEMORIAS, AS
ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA
JA VI ESSE FILME
HINDUISMO
QUEBRANDO O ENCANTO
ESPANHOIS - IMIGRANTES NO BRASIL
ESPANHOIS, OS
SEIS TOMBOS E UM PULINHO
MANUAL DE AUTOCURA
CONTRA O CONSENSO
TENIS DE MESA
JAPANESE SENTENCE PATTERNS FOR EFFECTIVE
THEORY AND PRACTICE OF ECONOMETRICS, THE


Impressionante, não? Aparentemente há um monte de físicos, matemáticos, economistas... Compre seus livros online na Livraria Cultura clicando no banner abaixo. É prático e seguro. E o seu título passará a fazer parte da lista dos mais vendidos... do Strangeman's Paradise.


2008-04-12

Hitchens destrói argumento fascista-stalinista


Gostei especialmente desta argumentação de Christopher Hitchens onde ele destrói o argumento favorito dos cristãos para demonizar os que não crêem em deuses: o argumento de que quem não teme a deus mata sem piedade. Eles usam o nazismo, o stalinismo e a China de Mao como exemplos. Hitchens mostra com argumentos simples que estes crimes decorrem do seqüestro da credulidade de uma massa ignorante e não da subversão da mente de uma população esclarecida. É excelente, são 9 minutos e eu coloquei as legendas. Divirtam-se!
Hitchens é o autor do best-seller "Deus não é grande". Para comprar clique na capa do livro abaixo. Aqui ele também recomenda o livro de William James, "As variedades da experiência religiosa", cuja versão em português aparentemente está esgotada.

  

2008-03-10

A História do Lagarto da Lava


Uma deliciosa história sobre tempos passados narrada pelo próprio Richard Dawkins, ambientada nas incríveis ilhas Galápagos. Eu mesmo coloquei as legendas no vídeo, se acharem algum erro por favor avisem para que eu possa corrigir. Espero que gostem!

Eu vi esse mesmo tipo de "cordas de lava" na ilha do Hawaii em um campo de lava gerado pela erupção do Mauna Loa em 1920 (clique aqui para ler mais).

O melhor livro de Dawkins, em minha opinião, é "The Ancestor's Tale" ou a "História do Ancestral". Este livro conta histórias inspiradas em descobertas científicas verdadeiras sobre os nossos ancestrais, desde o austalopiteco até as bactérias. Você pode comprar este livro na Livraria Cultura clicando na capa abaixo. A entrega é no dia seguinte, em todas as capitais do Brasil.

2007-12-21

Não acreditem em mim.

Eu não quero que acreditem em mim. Se eu disser que o mundo vai acabar, peçam provas. Analisem o que digo. Pensem. Cheguem a uma conclusão sozinhos. Só assim vocês terão certeza de que o que eu digo é verdade - ou não. Tem um detalhe, entretanto: isso vale para todos.

Nos últimos dois anos uma série de livros de quatro autores com a mensagem acima foram publicados. Gozaram de um sucesso editorial enorme. Fizeram muita gente pensar. Na verdade, fizeram muita gente declarar, orgulhosa, que achava que a doutrina da transubstanciação é um engôdo vergonhoso e a infalibilidade papal só pode se referir à infalibilidade da morte do papa. Sim, porque até agora a única coisa infalível a respeito de um papa é a sua morte que virá, inexorável. Ter fé em tudo que um velho diz "por definição" é até pior que acreditar na virgem grávida.

O mundo nunca mais será o mesmo. Foi-se o tempo no qual não se podia expor ao ridículo os que declaram sua fé dogmática no que quer que seja. Como alguém defende a proibição da camisinha? Como alguém defende a virgindade como virtude, em tenebrosas e empobrecidas regiões da África? Os missionários estão aí para fazer o que sempre fizeram: espalhar a miséria de suas idéias pobres, de seus ideais empobrecedores. Perguntem às africanas o que elas querem. Elas responderão que querem anti-concepcionais e camisinhas. Elas querem cortar o ciclo de miséria que nunca termina e se multiplica com suas dezenas de filhos que morrem de fome e doenças evitáveis.

O respeito às religiões é um conceito absurdo: como respeitar alguém que não me respeita? Seja entre uma religião e outra ou entre diferentes versões da mesma religião, o respeito definitivamente não faz parte do repertório religioso. Peguem o Corão para ver quantas vezes os mulás que o escreveram dizem que os não-muçulmanos são imorais e malvados. Peguem a Bíblia para ver quantas vezes os não religiosos são chamados de imorais e depravados. Respeitar esses conceitos é francamente ridículo, além de ser auto-destrutivo.

Sim, muitas destas seitas pregam o fim do mundo. Mais do que isso, elas querem o fim do mundo. Alegram-se com isso. Pode-se levar a sério alguém que está trabalhando contra todos os seres que habitam o nosso planeta? Há uns que pensam que vão ser "arrebatados". Outros esperam OVNIS descerem sobre pirâmides. Ainda outros tomam chá de cogumelo para ficar com "barato". Outros cobram dízimo para comprar emissoras de TV. Outros batem nas próprias costas com um chicote até sangrar. Respeito só é para quem merece. Não acreditem em mim. Olhem ao redor.

As religiões dividem. Para elas, uma pessoa é menos do que a outra só em base à sua religião. Todas as religiões fazem isso. Não adianta tentar me convencer que o cristianismo é uma exceção: basta ver o que os católicos e os protestantes fazem na Irlanda do Norte. Não se pode dividir as pessoas em seitas, grupos, tribos primitivas. Já existem as divisões nacionais, de língua, de costumes. As religiões só acrescentam divisões inúteis e perniciosas que terminam por gerar conflitos completamente evitáveis e irracionais. O que dizer de alguém que, para ganhar as virgens do paraíso, se explode matando centenas de pessoas? O que dizer de quem recruta, doutrina, distorce as mentes desde a mais tenra juventude desses que, fatalmente, se tornarão poços de ódio e rancor? Não acreditem em mim, olhem ao redor.

Hoje em dia, a grande tribo que mais cresce não é, ao contrário do que se diz por aí, a dos adoradores de Alah. A tribo que mais cresce é aquela dos que acham que não existem tribos. Pessoas são pessoas. Os não religiosos hoje são mais numerosos até que os islâmicos, e isso está deixando as religiões em polvorosa. Os livros "blásfemos", para usar a expressão própria dos tiranos religiosos, estão vendendo mais que banana na feira.

Aí alguém pergunta: "Se as pessoas não tiverem religião, como é que fica a moral?". Para esses respondo: os Estados Unidos são mais religiosos que a Europa. Em alguns países da Europa, mais de 90% se dizem sem religião, enquanto 80% dos americanos acham que um deus ouve suas preces. Mesmo assim, e apesar da imoralidade que os religiosos teimam em tentar associar com os não religiosos, há muito mais AIDS nos Estados Unidos que na Europa. Há muito mais assassinatos nos Estados Unidos que na Europa. Há muito mais abortos nos Estados Unidos que na Europa. Há muito mais gravidez em adolescentes nos Estados Unidos que na Europa. Não acreditem em mim: vejam por vocês mesmos. Os não religiosos são moralmente muito mais avançados do que os que se auto-proclamam "donos" da moral.

O uso das próprias faculdades intelectuais é o segredo. A moral é uma conseqüência natural. Todo ateu sabe disso. Os religiosos agarram-se desesperados a suas bíblias com medo de ter que começar a pensar.

Quando quero inspiração, pego um livro científico velho. Há muitos, para todos os gostos, em todas as disciplinas. Quando leio um desses, que pode ter sido escrito por Galileu ou Georg Agricola, vejo a imensidão do trabalho da Ciência, os dedicados soldados que batalham dia e noite para desvendar os segredos do mundo natural. Comparo o que se sabe hoje com o que se sabia há 500 anos. O progresso da Ciência me enche de orgulho e de esperança. Os religiosos a detestam, pois tira-lhes o poder, que é em última instância baseado na ignorância forçada aos jovens. A Ciência é o oposto disso.

Dizem então os religiosos: "E os efeitos negativos da Ciência? O efeito estufa e a bomba atômica?" Respondo: não são nada comparados aos efeitos positivos: só a invenção dos antibióticos salvou mais vidas do que jamais foram salvas pela caridade católica. Estima-se que 5 bilhões de pessoas não morreram porque foram tratadas com antibióticos ou vacinas, ferramentas científicas por excelência. Alguém se habilita a atacar Pasteur ou Sabin?

Não acreditem em mim. Vejam por vocês mesmos. Desejo a todos um felicíssimo feriado e um ano novo cheio de esperança e possibilidades.


   

2007-11-27

Treinando o seu Inglês


Recomendo a todos assistir a excelente palestra de Sam Harris, autor de "The end of faith" and "Letter to a christian nation" Clique abaixo para comprar "O fim da Fé" finalmente traduzido para o Português. É um dos vídeos do youtube com o maior número de visualizações. Eu já o tinha publicado em Janeiro, mas está mais atual que nunca.


Na livraria Cultura:

        

Na Amazon.com:
    

2007-11-12

Lula é a minha anta - entrevista Jô

Excelente, mas um pouco triste. Afinal a anta continua lá. Divirtam-se. Para comprar o livro, clique na capa abaixo:




2007-11-11

Uma médica que faz abortos

Vale a pena ler a entrevista completa aqui. Ela descreve os conflitos e recompensas de uma médica que faz abortos. Descreve também a inacreditável hipocrisia das militantes anti-aborto. Muito impressionante. Imagino o que uma pessoa pobre no Brasil tem que sofrer hoje para conseguir fazer um aborto.
Uma pergunta que Wicklund ouve “toda hora”, diz ela, é como é possível que seu foco seja aborto, e não algo mais gratificante, como partos. “Na verdade, as mulheres são muito gratas”, declarou a médica. “Elas ficam gratas por saber que podem passar pelo procedimento com segurança e que poderão engravidar novamente depois”. “É uma das poucas áreas da medicina na qual você não está trabalhando com alguém doente, mas sim fazendo algo para elas, algo que lhes devolve suas vidas, seu controle”, acrescentou. “É algo gratificante para se tomar parte”.

Clique na foto abaixo para encomendar o livro de Susan Wicklund (ainda não publicado) na Livraria Cultura:

2007-10-25

Um insensível e um desonesto

Seguindo a sugestão do Yuri, assíduo leitor deste blog, vou comentar a fala de Sergio Cabral defendendo o direito ao aborto. Vou me ater somente ao que ele disse ontem, já que não conheço o governador do Rio de Janeiro. Vou comentar também o que disse o blogueiro da Veja, Reinaldo Azevedo, a respeito.

Tecnicamente o que Sergio Cabral disse está correto: as favelas, com seu ritmo de natalidade africana, são fábricas de marginais. Não há dúvida a respeito. Ele defendeu a legalização do aborto citando o livro "Freakanomics" e aqui começo a discordar. Eu não acho que há provas contundentes de que a liberalização do aborto conduz diretamente a uma redução na criminalidade. Entretanto, qualquer pessoa de bom senso percebe que a descriminalização fará com que menos filhos indesejados nasçam, reduzindo o crescimento demográfico em áreas já miseráveis e, a médio prazo, melhorando a situação econômica. Não custa lembrar que todos os países civilizados permitem o aborto nas primeiras semanas de gestação.

O que acredito é que a afirmação de Cabral foi um tanto insensível do ponto de vista político. A forma como colocou o assunto torna fácil aos opositores ao direito de aborto usar o argumento "ele quer matar os pobres antes que eles nasçam", argumento este típico de alguém com a distorção mental lulista, que pensa que pobre é algum tipo de raça, algo como a raça da "Maria da lata d'água". Entretanto ele está correto na sua posição, que deve ser vista como um direito fundamental da mulher, da mesma forma como é vista por todo o mundo civilizado moderno. Nesse aspecto aplaudo a sua coragem.

Agora vem a parte deprimente. É sabido que a religião distorce as faculdades mentais de quem tem que se obrigar a acreditar em dogmas impossíveis. Entretanto é verdadeiramente deprimente constatar que um dos poucos opositores a Lula é capaz de recorrer a desonestidade intelectual tão baixa ao defender sua dogmatica posição. O Reinaldo Azevedo, comentando a fala de Cabral, diz aqui o seguinte:

"...Se Sérgio Cabral decidisse assassinar todos os fetos das mulheres pobres — nosso Herodes pequeno-burguês — e optasse por uma esterilização censitária,..."

Poucas vezes na minha vida vi um ato de desonestidade intelectual tão covarde. Todos sabemos que Cabral não quis dizer isso. Aqui Reinaldo Azevedo não só desce ao nível de Lula - que ele outras vezes corretamente ataca - invocando "assassinato seletivo de pobres", como também chama o aborto de "assassinato", como se aborto e assassinato fossem a mesma coisa.

Reinaldo tem todo o direito de manifestar a sua radical posição pró-Vaticano. O que ele não deveria - para seu próprio bem - é tentar forçar a sua distorcida visão carola a todas as outras pessoas. Além de perder a razão em outras áreas, fornece aos pró-Lula um motivo muito forte para desacreditar qualquer outro argumento seu.

Deixo aqui uma mensagem para o Reinaldo Azevedo: Você é católico? Ótimo. Não tente entretanto trazer a sua religião para a esfera pública. Não tente impor suas visões dogmáticas a nós, não-católicos. Não quero ter que compará-lo àqueles islâmicos que são capazes de qualquer coisa para forçar a lei sharia nas sociedades em que se encontram. Acredito que você é mais inteligente que isso.

2007-10-22

Mais Christopher Hitchens

Se quiser ler de graça o primeiro capítulo do excelente "Deus não é grande - como a religião envenena tudo" em português, basta clicar aqui. Christopher Hitchens faz da clareza de pensamento uma arte. Debatedor feroz, costuma destruir seus debatedores em temas como religião. No livro, Hitchens se pergunta:

Se Deus era o criador de todas as coisas, por que deveríamos “louvá-lo” de forma incessante por fazer o que para ele tinha sido tão natural?

Se Jesus podia curar um cego que tinha conhecido, por que não podia curar a cegueira?

Por que eu deveria continuar a dizer publicamente que era um miserável pecador?

Por que o tema do sexo era considerado tão venenoso?


Sua prosa é fluida e irônica. Hitchens, como seu amigo Salman Rushdie, corre riscos pessoais criticando a instituição da ignorância. Na minha opinião, é um dos grandes heróis do século 21. Se você, depois de ler o primeiro capítulo, tiver vontade de ler mais, compre na Livraria Cultura clicando na capa abaixo. Bom divertimento!





2007-10-20

Mãe, o pai vai gostar

Mãe, compra este... o papai vai gostar, eu sei!

Ela tinha toda a razão, adorei o livro de Robert Wolke, "O que Einstein disse ao seu cozinheiro". Ele discute os mitos da cozinha com o olhar analítico de um químico e com um fantástico senso de humor. Não há desperdício, o livro é muito bom do início ao fim. As receitas? Bom ainda não tentei nenhuma, mas ler o livro é uma diversão contínua. Para quem quiser comprar, basta clicar na capa do livro abaixo. Quando eu preparar uma receita boa, vocês vão ser os primeiros a saber... Divirtam-se!

2007-10-18

Vamos ser como o Che...

É de manhã cedo. As crianças de uma escola primária em Cuba recitam a reza do dia: "Vamos ser como o Che".

Fica difícil. O Che era de uma família de classe média na Argentina. Certamente não ganhava os 16 dólares por mês que o governo cubano paga a seus escravos. Sim, porque quem não tem liberdade para sair é escravo.

O regime cubano gosta é de "mentalidade revolucionária", a que fez com que Che matasse seus opositores, executasse aqueles de que suspeitava, e que espalhasse um clima de terror em uma pequena ilha, terror que persiste até hoje, 40 anos após a sua morte. Os pequenos Ches de hoje fazem, como o que morreu, o trabalho mais mesquinho: patrulham os seus amiguinhos, denunciam cada desvio de pensamento, cada olhar torto. Ninguém pode cometer o sacrilégio de criticar Che... ou Fidel, ou simplesmente pensar em criticá-los.

É excelente o artigo da "Economist" sobre o Che. Eu me pergunto porque os jornalistas em geral gostam tanto de endeusar este que, mesmo como revolucionário, era menos que medíocre. Che queria criar "dois, três, muitos Vietnams" na America Latina. Considerando que no Vietnam houve 2 milhões de mortes, fico feliz que ele não conseguiu. Seu chamado às armas e sua exortação à guerrilha entretanto, "levou milhares de idealistas latino-americanos à morte, ajudou a criar ditaduras sangrentas e atrasou a chegada da democracia." Leia o artigo aqui (em inglês).

Em sua biografia de Che, Jorge Castañeda diz que ele media o "sucesso de uma revolução" pela quantidade de refugiados que ela gerava. Quanto mais refugiados, melhor. Só mais um vagabundo usando a tática do "Quanto pior, melhor", utilizada por Stalin, Lenin e Mao e tão familiar para aqueles que conhecem o PT e o maloqueiro-mór da gloriosa nação das favelas zumbi.

Clique na capa abaixo para comprar a biografia de Che:


2007-10-09

Coitada da anta...

Fiquei com pena das antas. Tem livro novo na praça, do Diogo Mainardi, para deixar os outros animais da revolução dos bichos em polvorosa, o porco, a lesma, a sanguessuga, a baleia com estrela vermelha na barriga... Clique na capa para comprar na Livraria Cultura:




2007-10-01

Diego Casagrande e Diogo Mainardi

Excelente entrevista com o Diogo Mainardi. Tirei do blog da pata irada. Vale a pena ouvir. Só discordo do Diogo em uma coisa: acho que o Lula vai tentar o terceiro mandato sim senhor, e coisas piores ainda. Assista, vale a pena.
Lula:
"É o homem do atraso"

"O grande perigo do Lula, não é a safadice dele e do governo, mas o nosso despreparo prá lidar com ele. Esse foi o grande problema do lulismo"

"ele (Lula) não tem ideologia ...tem uma estratégia, uma tática e uma estratégia de ocupação do governo e de roubo"
Parte 1:


"Ele se projeta como um novo Chávez e não é o que ele quer. Se ele for identificado como um novo Chávez ele está frito."

Parte 2:


" RS foi cobaia desse esquema do PT."

Parte 3:


O livro do Diego Casagrande pode ser comprado na Livraria Cultura, basta clicar na capa abaixo:



2007-09-11

Idéias vivas

Idéias não tem vida própria. Elas precisam de pessoas que as transmitam, modifiquem, adaptem, explorem ou divulguem. Mas da mesma maneira as pessoas não sobreviveriam sem ambiente, sem plantas, sem um mundo que as sustentasse.

Imaginemos por um momento que as idéias sejam seres vivos. Elas se reproduziriam quando alguém conta sua idéia a outra pessoa. Teríamos assim a idéia original na cabeça de seu formulador e uma cópia na cabeça de seu interlocutor. Às vezes as idéias se reproduziriam em massa. Isso seria o caso de quando alguém transmite uma idéia pela televisão e milhões de pessoas a reproduzem em suas cabeças quando a entendem.

É preciso dizer que não basta explicar algo para que a outra pessoa gere uma cópia da idéia em sua cabeça. É necessário que a idéia seja entendida e seja aceita. Uma vez entendida e aceita juntam-se as condições para que essa idéia se reproduza novamente, quando este que a entendeu a passa adiante.

Há literalmente milhões de idéias circulando no mundo. Desde uma receita de bolo até manipulações matemáticas, desde técnicas de cirurgia até teorias políticas, desde configurações de circuitos elétricos até a teoria da gravidade. Nesta gigantesca confusão, notamos que as idéias também competem entre si. Como?

Há idéias que automaticamente excluem outras. Por exemplo a idéia de que "todos os políticos são ruins" exclui automaticamente a idéia de que possa haver um político bom, inviabilizando a idéia de democracia. Se todos forem ruins, não poderá haver representação democrática e a democracia é impossível. Algumas idéias excluem outras em maneiras ainda mais sutis. Por exemplo, a idéia de que elite é uma coisa ruim - ainda que os dicionários discordem - é espalhada com uma facilidade incrível no no ambiente de mentes brasileiras para as quais um dicionário é, no máximo, um ítem para decorar uma prateleira.

Como em um eco-sistema, as idéias às vezes se agrupam em um conjunto internamente coerente. Assim, é muito raro que um religioso fervoroso seja também um cientista. Porque? Por que o religioso tem inculcada na cabeça desde pequeno a idéia de que o maior valor é a sua fé. Fé consiste em acreditar em coisas sem ter nenhuma evidência, anulando a própria capacidade intelectual, contrastando frontalmente com o eco-sistema da mentalidade baseada em realidade. Assim, certas idéias proliferam facilmente em ambientes nos quais outras não tem a menor chance. Um exemplo é a idéia da aparição da Virgem Maria em um ambiente de crédulos carolas.

Há também o fenômeno da evolução das idéias. Elas variam ou se adaptam aos "ambientes mentais" que encontram. No século 17 o conceito de escravidão era totalmente aceitável, enquanto agora é até difícil imaginar o que faria as pessoas abraçarem tal barbaridade. Conceitos mutam e evoluem. Religiões ficam mais radicais ou mais moderadas, de acordo com os conceitos existentes na cabeça das pessoas.

Fica uma pergunta: quais são as idéias que prosperam no ambiente mental do Brasil de hoje? Quais serão as consequências futuras da proliferação de tais idéias?

A idéia de pensar que as idéias estão vivas - claro que esta é também uma idéia - foi surrupiada por mim do conceito de "meme" do livro "O Gene Egoísta" de Richard Dawkins. Se você nunca leu este fantástico livro, eu recomendo. É uma boa idéia.